Apesar de ser minha amiga há alguns mil anos, quando convidei a Cacá para participar aqui do projeto pela primeira vez – sendo fotografada por mim –, não tinha certeza se ela aceitaria. Como tantas outras minas, infelizmente, ela já teve uma história bem escrota com um fotógrafo homem.
Quando ela topou, fiquei feliz não só por ela estar passando por cima de uma experiência bosta, mas por ter uma grande amiga participando – e que de quebra é uma fotógrafa que eu respeito e admiro muito topando que outro fotógrafo mostrasse sua visão dela dentro daquela proposta.

Recentemente fiz o segundo convite – já que nessa nova etapa venho chamando pessoas que acho que têm a ver com a vibe do projeto para mostrar os seus olhares sobre o nu, e obviamente acho que ela tem tudo a ver –, e recebi esses tiros em forma de auto-retratos, diretamente do Death Valley, no deserto de Mojave.

“Depois de quase 6 anos fazendo o @x.real, fotografando várias mulheres e encorajando (ou pelo menos tentando) esse olhar de empatia sobre o corpo feminino percebi que eu praticava esse exercício com as outras pessoas, mas não comigo mesma. Me negava o afeto e aceitação com a pele que carrego. Nunca tinha feito autorretratos, fora algumas selfies na época de Fotolog. Posicionar a câmera, programar o timer e correr pro enquadramento tem sido, desde o começo desse ano, um dos maiores exercícios de descoberta sobre mim. Essa série é a 2ª de 10 que eu fiz que consegui mostrar o rosto. E acho que isso diz muito sobre cada degrau que se sobe.”

8PM – Camila
📷: Camila Cornelsen
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Although she is my friend since always, when I invited Cacá to take part in the project for the first time – being photographed by me – I was not sure if she would accept it. Like so many other mines, unfortunately, she has had a shitty issue with a male photographer.
When she came across it, I was happy not only because she was going through a bad experience, but because of having a great friend participating – who is also a photographer that I respect and I admire very much, that allowed another photographer to show his vision of her on that proposal.

I recently made the second invitation – since in this new stage I’ve been calling people that I think that have to the vibe of the project to show their looks on the naked, and obviously I think she’s all about – and then she sent me those self-portraits, directly from Death Valley in the Mojave Desert.

“After almost 6 years doing @x.real, photographing several women and encouraging (or at least trying) this look of empathy on the female body, I realized that I practiced this exercise with other people, but not myself. The affection and acceptance with the skin I carry. I had never done self-portraits, apart from a few selfies in the Fotolog era.
Punching the camera, setting the timer and running the frame has been, since the beginning of this year, one of the biggest exercises I did on finding who I am. This series is the 2nd of 10 that I did that I could show the face, and I think that says a lot about every step that goes up.

8PM – Camila
📷: Camila Cornelsen

Fiz as fotos do Bonde do Jaguar, disco de estreia dos meus comparsas-crias-do-Catete Vini e Leo Toretto, a.k.a. Nunig.
O bom de trabalhar com amigos é que você tem total liberdade pra sugerir o que quiser – tipo achar que mesmo com o styling lindo meu xará Schubach fez só com peças da Cem Freio, caberia fazer umas fotos também deles usando, ahn, nada.
Daí claro que fiz algumas fotos pro projeto também, né? 🙂

Nunig – Vinícius e Leonardo.
📷: Fernando Schlaepfer
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I made the photos of Bonde do Jaguar, the debut album of my fellows-Catete-locals Vini and Leo Toretto, a.k.a. Nunig.
The good thing about working with friends is: you have total freedom to suggest whatever the fuck you want – like, to think that even with the awesome styling that my pal Schubach made only with Cem Freio clothing, it would be better to take some pictures of them wearing, um, anything.
Of course I did some photos for the project as well. 🙂

Nunig – Vinícius and Leonardo.
📷: Fernando Schlaepfer

Muito, muito feliz com a primeira colaboração da Alle por aqui. Segura que lá vem pedrada:
Vera Luz tem 65 anos de idade.
Aos 60 anos, Vera sofreu um acidente de carro na Dutra em São Paulo. O carro que pilotava capotou por 4 vezes deixando suas pernas com fratura exposta, no pé direito um corte profundo fez com que cortasse nervos, artéria até chegar nos ossos, costela quebrada do lado direito perfurando o pulmão, trincou os ossos do peito e fez dois buracos na cabeça.
Vera ficou 10 dias em coma precisando de transfusão de sangue e passou a viver por 2 anos na cadeira de rodas.
Durante o período árduo que Vera viveu decidiu que saindo da cadeira de rodas iria experimentar todas as boas sensações que a vida nos proporciona. E adivinha? Uma das sensações que Vera gostaria de sentir era posar nua além de cortar seus cabelos com o objetivo de doa-los para uma instituição de câncer.
Unimos o útil ao agradável e Vera se despiu de corpo e alma raspando o seu próprio cabelo em frente às câmeras.
Me sinto honrada por ser escolhida para fotografar esse momento.

Luz – Vera
📷: Alle Manzano
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Very, very happy with Alle’s first collaboration here. Sure that there comes the boom:
Vera Luz is 65 years old.
At the age of 60, Vera suffered a car accident at Dutra, in São Paulo. The car that she drove flipped over 4 times leaving her legs with an exposedfracture, on the right foot a deep cut caused her to cut nerves, artery to reach the bones, broken rib of the right side piercing the lung, crushed the bones of the chest and made two holes in the head.
Vera spent 10 days in a coma needing a blood transfusion and started living for 2 years in the wheelchair.
During the arduous period that Vera had, she decided that getting out of the wheelchair would experience all the good sensations that life gives us. And guess what? One of the sensations that Vera would like to feel was posing naked in addition to cutting her hair in order to donate them to a cancer institution.
We combined the useful with the pleasant and Vera undressed body and soul shaving her own hair in front of the cameras.
I feel honored to be chosen to photograph this moment.

Light – Vera
📷: Alle Manzano

É sobre energia, intensidade e entrega. É sobre estar conectado com algo muito maior. É buscar uma tranquilidade nas nossas inquietações.
Diogo, além da generosidade de se doar a esse momento tão único e forte (e de poucos minutos de luz), foi capaz de captar com sua sensibilidade a minha própria inquietude.
Quando essa troca acontece algo lindo pode nascer e nasceu ali no ventre da lua.

Palavras e fotos da Prys, nessa sua primeira colaboração por aqui.

Habitar – Diogo
📷: Pryscilla K
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It’s about energy, intensity and delivery, it’s about being connected with something much greater, it’s seeking tranquility in our concerns.
Diogo, besides the generosity of giving himself to this moment so unique and strong (and a few minutes of light), was able to capture with his sensitivity my own restlessness.
When this exchange happens something beautiful can born and was born there in the womb of the moon.

Words and photos of Prys, in this first collaboration here.

Dwelling – Diogo
📷: Pryscilla K

Mais uma série durante minha última viagem (graças a Copa Airlines, que deu overbooking no vôo de volta e fiquei um dia de folga em Los Angeles – obrigado pelo seu erro, Copa!), dessa vez com meu amigo Pedro Millás.
Passamos a semana anterior praticando aquilo que os jovens chamam de ~transgressão~ para a campanha de uma marca que talvez seja melhor eu não dizer o nome para não admitirmos que fizemos algo de ilegal em um trabalho hehe – maaaaas, como as fotos aqui são para um projeto autoral e vale tudo em nome da arte, por que não invadir o L.A. River, ficar pelado por lá, e compartilhar com o mundo mágico de Interwebs, né?

Trespassito – Pedro
📷: Fernando Schlaepfer
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Another series during this last trip (thanks to Copa Airlines, who overbooked on the return flight and I stayed a day off in Los Angeles – thanks for your mistake, Copa!), this time with my friend Pedro Millás.
We spent the previous week practicing what people call “transgression” for the campaign of a brand that maybe I better not say the name to not admit that we did something illegal for a job lol – buuuut, since the photos here are for an authorial project and all is fair in art, why not invade L.A. River, get naked there, and share with the magical world of Interwebs, right?

Trespassito – Pedro
📷: Fernando Schlaepfer

Hoje temos a primeira participação do Felipe Watanabe no projeto – e a primeira vez da Thaís Marin aparecendo por aqui também. Neste caso, Wata fotografando e Thaís sendo fotografada (mas poderia ser o contrário também. Thata, manda ver!).
Com a palavra, Watanabe:

Era final de tarde em Florianópolis. No final da rua um portãozinho que parecia não levar pra lugar nenhum. Lá do outro lado, só um monte de árvores e um fiozinho de água. Uns cinco minutos de uma subida íngreme e o cenário já era outro: as dunas e o mar. Foi aquela descida apressada com os pés afundando na areia pra não perder a luz e chegamos nas Dunas da Joaquina (desertas porque o dia até aquele final de tarde foi só de nuvens). A Thata saiu correndo pra aquela imensidão vazia e fizemos os cliques naquela baita paisagem. Um instante depois e veio uma chuva pesada. Câmera debaixo do braço e aquela correria porque câmera não gosta de água. E nem de areia.

Leveza – Thaís
📷: Felipe Watanabe
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Now it’s time for the first photo of Felipe Watanabe here – and the first time of Thaís Marin as well. In this case, Wata photographing and Thaís being photographed (but it might be the other way around. Thata, go for it!).
Leting Wata speak for himself:

It was late afternoon in Florianopolis. At the end of the street a little gate that leaves do not lead anywhere. There on the other side, just a pile of trees and a trickle of water. About five minutes from a steep climb and the scenery was already different: like dunes and the sea. It was that hurried descent with our feet sinking in the sand to not lose the light and we arrived in the Dunes of Joaquina (desertas because the day until the end of the afternoon to only of clouds). Thata ran out into that empty space and we clicked on that little landscape. An instant and a heavy rain. Camera under her arm and that would run because camera does not like water. And not even sand

Lightness – Thaís
📷: Felipe Watanabe

Mais uma série minha, mais uma vez com a Juju – quem manda ela estar comigo mais do que todxs?
Estávamos em um hotel em uma cidadezinha na Espanha sem absolutamente nada pra fazer, e quando fomos na varanda, umas 21h, tava esse Sol aí. Meio que fomos obrigados a fotografar, porque né?

Valdemoro – Juliana.
📷: Fernando Schlaepfer
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Another series of mine, once again with Juju – who tells her to stay with me more than anyone?
We were in a hotel in a little town in Spain with absolutely nothing to do, and when we went on the porch, around 9pm, there was that Sun. We were kind of forced to photograph, because of reasons.

Valdemoro – Juliana.
📷: Fernando Schlaepfer

Para sua colaboração por aqui, Rony mostra a linguagem tão bem trabalhada no seu projeto pessoal chamado Florescer, totalmente em sintonia com a Jacque Jordão.
Pedimos pra ele nos contar um pouco sobre a sessão em si, e a resposta foi tão bela quanto as fotos: “Feito nascer do dia ou pôr do sol, passageiro, porém a cada dia se torta mais único e intenso, intensa. Avoada que só não sabe se fica, se vai ou como será o mês que vem, mas sempre ela, a cada dia, menos de pouquinho, mais um cadinho, efêmera.”

Efêmera – Jacqueline
📷: Rony Junior
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For his collab with the project, Rony shows the language so well worked on his personal project called Florescer, totally in tune with Jacque Jordão.
We asked him to tell us a little about the reason for the shooting itself, and the answer was as beautiful as the photos: “Done daybreak or sunset, passenger, but each day becomes more unique and intense, intense pie. Avoy, who does not know if she stays, whether or not she will be next month, but always she, every day, less than a little, another crucible, ephemeral.”

Efêmera – Jacqueline
📷: Rony Junior

Continuando com mais um fotógrafo que já havia participado, mas como modelo, agora é a vez do meu grande amigo Victor Nomoto mostrar seu olhar sobre o projeto.
Como eu já esperava, definitivamente, o trabalho mais diferente a aparecer por aqui até hoje.
Deixo as palavras com o próprio:​

Comecei esse lance de fotografar jogos faz uns anos. Acho incrível poder ficar na minha casa e mesmo assim poder produzir algo, usando basicamente os mesmos princípios da fotografia da “vida real”.
Um jogo existe um tempo dele: se quiser um pôr-do-Sol perfeito, vai ter que esperar o momento certo, e talvez a pessoa que você quer fotografar não esteja lá naquele horário, por exemplo.
No meu trabalho, gosto de confundir as pessoas sobre o que é real ou não – na verdade, nem eu sei o que é mesmo de fato a realidade. O existir é uma parada muito complicada.
Nunca na vida real fotografei nu. Talvez devido a minha timidez, sei lá, mas aceitei feliz esse convite como um desafio, obrigado Fê! Pode desafiar sempre que eu gosto.

Toussaint – Geralt
📷: Victor Nomoto
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Continuing with another photographer who had already participated, but as a model, it is now the turn of my great friend Victor Nomoto to show his look on the project.
As I already expected, definitely, the most different work to appear here until today.
I’ll let him speak for himself:

I started this thing of shooting games a few years ago. I find it amazing to stay in my house and still be able to produce something, using basically the same principles of “real life” photography.
A game exists in its own time: if you want a perfect sunset, you will have to wait for the right moment, and perhaps the person you want to photograph is not there at that time, for example.
In my work, I like to confuse people about what is real or not – in fact, I do not even know what reality really is. Existence is a very complicated shit.
I have never shot naked people before. Maybe because of my shyness, I don’t know, but I accepted this invitation as a challenge, Thank you Fê! You can challenge me always, I like it.

Toussaint – Geralt
📷: Victor Nomoto

Fabio Setti já participou do projeto como modelo, pertinentemente, na série “Cerrado”. Há algumas semanas vinha buscando uma ideia sobre como seria sua nova colaboração, dessa vez por trás da lente, e chegou com essa beleza.
Segundo ele, “estava procurando a natureza pra esvaziar a angustia e se libertar, e achou sua locação escondida no meio de Brasília. A partir de então, as fotos fluíram como o córrego no meio das árvores”.

Samandi: Lorrayne.
📷: Fabio Setti

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Fabio Setti has already been in the project as a model, pertinently, in the “Cerrado” series. A few weeks ago, he was looking for an idea about how was going to be his new collaboration, this time behind the lens, and came up with this beauty.
According to him, “was looking for nature to empty an anguish and free himself, and found his location hidden in the middle of Brasília. From then on, the photos flowed like the stream in the middle of the trees”.

Samandi: Lorrayne.
📷: Fabio Setti